quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mudpasta, ou Macarrão Para Um Meio de Semana, ou Um Brinde a Meus Meninos

 

Acontece que essa resolveu ser uma semana dura, puxada. Desde quando as semanas com feriado passaram a ser piores? Desde quando nos pegamos tão atarefados que nada é capaz de pagar um dia útil a menos na semana. Nem a perspectiva do feriado em Recife. Quarta-feira à noite e tive um dia frustrante. Muitos chutes e poucos gols… Aula de piano perdida (pela enésima vez), horário no salão perdido, unhas lascadas, olheiras, cansaço (pra não dizer s… cheio) e aquela sensação de que nenhuma dessas renúncias valeu a pena…

Saio do trabalho ultra frustada. Vou caminhando em direção ao ponto de ônibus. Ah, sim: pra completar, é dia de rodízio. Parcialmente recuperada do assalto ja relatado nesse blog (recuperada de verdade estarei quando fizer algo pelas nossas crianças embrutecidas, mas não tenho tido tempo nem de fazer as unhas… não que elas sejam mais importantes que fazer algo pelas crianç… ok, retomando o foco:), dirijo-me ao ponto de ônibus. Mas a dor faz a criança carente que existe dentro de mim gritar bem alto. Ligo para Pedro e peço uma carona.

Pedro chega e pergunta a razão dos meus olhos cansados e marejados. Explico. Ele sai com a máxima do Chico “vai passar”. Falando em passar, convido-o a passar no supermercado metido a chique da Av. Cidade Jardim. Compramos 300G DE PICADINHO, PÃO DE NOZES, BABY CARROTS, UMA LATA DE CREME DE LEITE LIGHT e UMA GARRAFA DE VINHO TINTO SIMPLES (Pinot Noir – o tinto que conseguimos beber nesse calor). Vou comendo as baby carrots no caminho. Se você também tem ataques de voracidade quando se aborrece, anote a dica: vá de baby carrots. O ataque passa e não fica a culpa de assaltar uma barra gigante de chocolate.

Chegamos em casa. Na dispensa, pego UM PACOTE DE MACARRÃO INTEGRAL e o pacote de funghi sequi adquirido no Mercado Municipal. Comprei meio quilo outro dia e vou consumindo aos poucos. Custo-beneficio execelente. Pedro oferece ajuda. Começamos a cozinhar juntos. Meço mais ou menos um copo de requeijão de funghi, lavo bem em água corrente e deixo de molho. Refogo uma colher de alho picado em um pouco de azeite e manteiga. Logo mais junto o funghi hidratado e cozinho por dois minutos. Abro o vinho. Meio copo de requeijão de vinho vai para o funghi em cozimento. O resto vai enchendo as taças. Somo ao funghi outro meio copo de requeijão da água em que o deixei de molho. O resto da água vai para o ralo, junto com a mágoa do dia. Cozido o funghi até ficar macio, dá-lhe crème de leite light e o picadinho. Adiciono noz moscada a meu gosto e Pedro para que corrija o sal ao gosto dele.

Nesse meio tempo, escorro o macarrão integral cozido. Juntamos o molho. Saladinha pronta na mesa, macarrão muito delicioso e não calórico na panela. Convidamos o Dani para juntar-se a nós. Partilhamos a comida e a sensação do dever cumprido. Brindamos a possibilidade de cumprir o dever com mais competência e menos sofrimento no dia seguinte. Continuar perseguindo a vida vibrante…

Penso em colocar a receita no blog. Nada mal. Escrevo a receita e garanto mais umas semanas sem ser expulsa do pedaço que compartilho com o Pedro na net. Sento no sofá entre Dani e Pedro. Eles com os olhos fixos na TV (futebol, pra variar – elimatórias da Copa (já?) dessa vez…). Eu escrevendo uma receita-crônica, no blog, sentindo-me quase uma Rita Lobo.

Como chamará a receita? A Rita colocou no livro* uma receita de mudcake. Eu terminei um dia duro sem nem me jogar num monte calorias. Matei o mau humor em macarrão integral, crème de leite light e simplicidade. Será a minha mudpasta. Hummm… Nomezinho pedante…

Dani me provoca. Pedro me defende. Os dois discutem por brincadeira. Dou risada. João ainda vai chegar. Tenho certeza disso. Amanhã também vai chegar. E será melhor Dedico a receita aos meus meninos – João, Pedro, Dani. Minha família; minha república; minhas cobaias e assistentes na cozinha. Minha vida simples; minhas fortalezas; minha promessa de vida vibrante.

 

* Rita Lobo escreveu A Conversa Chegou na Cozinha – Crônicas e Receitas, editado pela Ediouro. Ganhei da Mari Macário e li num instante. Recomendo. 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O que não controlamos

Uhhhmmm. Levanta. vai ali, calma.

Respiração comum, normal, no rítimo, como sempre deve ser, mas repentinamente, ali, no momento. Uma vontade de respirar que não se sabe de onde vem. Talvez seja algo que se precise evitar, aquilo deve lhe remeter a algo ruim. Uma pausa, Ar preso por pouco tempo, o que fazer? Meio segundo depois os pulmões estão com a capacidade de retenção completa, e agora (mais um vez), o que fazer? Isso é bom, você solta o ar com força e sente um prazer, que não era para estar ali. Já faz muito tempo

O coração batendo como sempre, sem nenhuma alteração, imperceptível, da maneira que precisa ser. Então passa-se a sentir que ele está ali, no lugar de sempre. Com o coração é diferente, coração a gente não controla, a gente apenas sente, e aceita que ele faz o que bem entender, mas temos a capacidade de prever o coração. Uma pausa, Mais uma batida, bem mais forte, como o surdo de terceira da escola de samba, Outra pausa. duas batidas, tão fortes quanto a primeira, mas em sequência, mais uma onda de euforia, que não era para estar ali. Já faz muito tempo. 

Sim, já faz muito tempo, e essas sensações, não eram, mas ficaram para você.

PP Mesquita

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pobre Orácio II

Orácio não sabia como ia ser…


Na verdade foi neste momento que ele percebeu que tinha pouca fé, se comparado a sua mãe e principalmente a suas avós, mas concluiu que tinha fé suficiente para chegar até o Eldorado, quer dizer, Paraíso. Pensou ainda mais, pensou que essa era a mesma medida de fé de seu avô, e talvez de seu pai.

Só depois disso tudo ele começou a pensar na passagem, coisa que ele não imaginava que imaginaria, um homem como ele não tinha tempo e nem muita razão para este tipo de coisa. Mas curiosamente, após o estalo, ele pensou nisso. Na passagem. Isso o fez sorrir, não sentiu sangue na garganta, como na música do Legião Urbana, e nem saiu do corpo como no filme Ghost. Sorriu apenas, por pensar nisso e por lembrar de dois ícones que ele não tinha vergonha de assumir que gostava. Teve orgulho de si.

Começou a ver vultos, ouvir suspiros e sentir toques cada vez menos intensos. Pensou que era muita coisa pra pensar e resolveu esperar o grande momento, deixou o corpo relaxar ao máximo, cerrou os olhos, soltou a mão de Soraia. E esperou o início do show que iria começar, esperou com serenidade o filme de sua vida, que a final de contas era a sua maior crença.

Orácio sorriu mais uma vez, talvez a última. Era ele chegando perto do velho e do pai, O pai cansado, sujo, suado, barba por fazer, o avô parecia uma cópia do pai, só que mais velho. Os dois conversavam, não se desgrudavam, falavam de assunto sério, mas o humor estava como sempre, a flor da pele. Orácio lembrou daquilo, lembrou que essa era uma cena que ficou marcada em sua vida. Ele adorava aquilo, ele chegando e o Velho junto ao seu pai conversando no terraço, lembrou dos interrogatórios, lembrou do dia que passou a ser convidado para a conversa séria, não muito séria, e muito proveitosa. Lembrou do terraço e da primeira vez que obteve sexo, foi ali, no lugar onde o avô às vezes recostava, teve medo que ele percebesse no outro dia, tamanho calor que deixou ali, Pobre Orácio, naquela época ele ainda não sabia muito das coisas. Mais um sorriso ao concluir isso. Naquela época eu não sabia muito das coisas.

Soraia, ele sorriu. Caralho Soraia! onde esta a merda da ambulância, o cara ta vivo. Eu não posso perder este cara Soraia, ele é minha vida, leva isso aqui nas costas, Cadê a porra da ambulância? Soraia.!Taí uma coisa que nunca aconteceu em toda existência do cara, prender um sorriso, o belo sorriso, um pouco amarelado por conta do cigarro, mas naturalmente belo. Justo nessa hora ele segurou, talvez com a última força, mesmo sabendo que a mulher estava a caminho ele segurou o sorriso. Isso poderia sugerir um último agradecimento àquele que era um belo filho da puta, um crápula, e isso não poderia acontecer. Avô e pai diziam, que o correto era não fazer mal a ninguém, e nem deixar que pensem que você tenha apreço por uma pessoa que não mereça apreço algum, mesmo que a maioria demonstre apreço a ela.

Era eleição e passava por alí Arlindo, vereador da velha guarda que mamava nas tetas da prefeitura há uns 40 anos. Filho de gente daquela terra, o pai um sitiante ali de perto, a mãe era Doméstica na fazenda que ficava ao lado do sítio.  Crescer junto com os filhos da Dona, fez bem para Arlindo, que ainda criança dividira a sala e a mesa com um deputado e dois vereadores. Logo Arlindo foi pra cidades e começou a participar dos grupos de jovens que se formavam na igreja. Começou por conta da mãe, que era muito religiosa, fazia parte da turma do Sagrado Coração de Jesus, trupe das carolas, e da Pastoral da Família, nessa só participavam as carolas e mal amadas. Arlindo se divertia com isso.

Na igreja já demonstrava toda a habilidade que tinha com números, na verdade dinheiro, também exibia habilidade com pessoas. Era o tempo em que ele fingia se entender com Deus, com o Padre e com os demais do seu grupo. Percebeu que a igreja era pouco, e partiu para a câmara dos vereadores. Ali havia mais dinheiro, e mais crentes em suas palavras, além de ser a chance de voltar a frequentar a casa da Dona. Orácio, tinha acabado de se casar, morava com o pai, também Orácio e a mãe. Nessa época os dois planejavam um galpão, em um terreno da prefeitura, ali eles fariam bailes, churrascos e até pintariam uma quadra no chão. Nada oficial, apenas para o lazer das crianças.

Época de eleição e de passagem dos candidatos pelos bairros.

 Arlindo olhou um jovem senhor e um rapaz conversando em um terraço, logo imaginou uma família grande, com muitos votos e alguns problemas, errou apenas no último questionamento.

Lá foi ele. Eu sou Arlindo Silva, filho de Dona Fulana e Seu Ciclano, estou aqui para falar-lhes sobre os meus projetos para a cidade. Eu sou Orácio, este é meu filho Orácio, esta é minha casa. Minha mulher conhece sua mãe, é uma pessoa de fé como ela. Será um prazer ouvir o que você tem pra falar. Assim era o avô, rápido e certeiro. Os três entraram e Arlindo começou o falatório.

Depois de muita conversa, poucas risadas, dois cafés e nenhum voto conquistado Orácio, o mais velho, soltou: Olhe bem Seu Arlindo. Pro senhor pode ser Arlindo, apenas. Pois bem Arlindo, preste atenção, este bairro aqui nunca foi assistido pela prefeitura e pela câmara dos vereadores, sempre é o mesmo falatório e por conta disso eu perdi um pouco a crença em gente como o senhor. (Arlindo aponta o dedo indicador para o teto) Digo gente como você. O descaso é tanto que eu e meu filho aqui, que também é casado, tivemos uma ideia, se você prometer ajudar a colocarmos ela em prática, nosso voto ta resolvido. Nosso e de metade do bairro, eu garanto.

Arlindo roçou as mãos nas pernas, sentou um pouco mais pra frente no sofá, demonstrações de interesse que ficaram ainda mais claras. Me conte tudo adoro bons projetos.

Orácio e Orácio começaram a falar sobre o que imaginavam para aquele terreno da prefeitura, Alindo se espantou com o nível de conhecimento daqueles dois. Nada fora do comum, nada difícil de ser feito com o mínimo de vontade política. Deixou uma promessa e foi para a casa do vizinho, depois para outra e mais outra e mais 10 casas. Em quase todas ouvia as mesmas reclamações, conquistava votos e perguntava sobre o velho Orácio. A cada resposta tinha certeza que encontrara o melhor cabo eleitoral, mais que isso, encontrou uma bandeira para defender e um bairro para acolher, Em lugar pobre tem muito voto, tem que criar algo pros pobres destes lugares. Lembrou que o deputado tinha razão, e que as coisas continuavam iguais desde os tempos da casa da Dona.

Dois dias depois voltou à casa de Orácio, já com a ideia da Associação de Moradores, que teria os Orácios no comando, mais que isso, a ideia do terreno voltou até melhor. Depois disso Orácio pai passou a cancelar as conversas de final de tarde, era caminhada com Arlindo todos os dias, o resultado veio das urnas. Arlindo eleito com sobras.

Orácio, o filho, virou para o pai, Agora vamos cobrar. Nem será preciso meu filho. Este Arlindo ta com jeito de ser homem correto. Não foi preciso cobrar, e Arlindo também não era correto. Ele conseguiu sim a verba e o terreno, construiu o projeto. Que estava superfaturado, quando a fraude foi descoberta tudo estava certo para que pai e filho, que sonhavam com aquilo, levassem a culpa.

O povo sabia quem estava errado, mas esqueceu, para a lei, para lei estava claro quem deveria ser punido, embora o juiz soubesse da verdade.  Arlindo continuou com os golpes, continuou dando pão e circo para todos, obteve respeito de alguns políticos importantes, voltou pra casa da Dona, como convidado, mas embora tenha tentado, perdeu o respeito daqueles dois, que nunca mais fizeram nada que envolvesse o mínimo de política. No calo de gente como a gente se pisa uma vez só, não importa quem for. Orácio lembrou da frase que o avô utilizava para encerrar essa história. e quase sorriu. Mas segurou.

As coisas ficavam cada vez mais lentas, as vezes parecia sentir que o mundo girava, já não abria mais o olho, começou a sentir frio, tentou, em vão, se encolher. Era um frio que ele havia prometido para si mesmo nunca mais sentir.

 

Continua … 

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Agendinha


Era um caderninho azul surrado, escrito "telephone" em douradinho. Já havia pulado de bolsa em bolsa diversas vezes. E a cada hora de trocar de bolsa, a dona pensava "vou jogar fora". Mas segurava a agendinha por um segundo, abria, folheava. Realmente, não fazia muita falta. Os telefones que estavam ali eram do último ano do colegial, quando não tinha celular. Ou do começo da faculdade, quando, ao final do primeiro ano, já havia adquirido seu primeiro celular baby pré-pago, mas não sabia como usar a agenda eletrônica daquele troço. De modo que, dos telefones que estavam ali, apenas lhe eram úteis alguns dos telefones fixos. De preferência os telefones fixos das casas das tias que já haviam constituído família - os únicos estáveis nesses tempos de iphone, blackberry e portabilidade numérica ainda muito recente.

Mas tinha o telefone das casas das amigas do interior. Bem, as amigas já tinham residência fixa, com namorido e tudo, em São Paulo. Mas gostava de olhar aqueles prefixos diferentes com cores de caneta diferentes. Tempos de dividir o final de semana entre festas de faculdade e viagens para "casa", que ainda não era São Paulo. Lembravam dias que, olhando de longe, pareciam difíceis. Mas na época lhe pareciam bons. Muito bons... Faziam-na perguntar em que tempo a casa no interior havia deixado de ser a casa, passando a ser "a casa" São Paulo.
Tinha também a foto de um anel, recortada e colada de uma propaganda de revista. Algum dia mandaria copiá-lo (coisa do interior essa história de "mandar fazer"), para que ele pudesse dar uso àquela pedra de topázio que ganhada de presente de 15 anos e que lhe parecia antiquada. Tinha mania dessas coisas. Recortar e guardar coisas que achava bonitas, até efetivamente copiá-las, ou desistir. Pensando bem, nem queria mais copiar o anel. Era moderno, mas não era bonito. Não para ela, que ainda tinha agendinha escrita de telefone. Logo, não era lá muito moderna.

Cada vez que mudava de bolsa e transferia os pertences (ultimamente estava mudando muito, num esforço de combinar as três que tinha - uma preta, uma marrom, uma creme - com o sapato, sabendo que aquele esforço de virar moça chique não resistiria a uma próxima semana corrida) de uma para outra era sempre a mesma sequência de pensamentos. E, no final dos pensamentos, a conclusão do cotidiano apressado: "a agendinha fica. Penso depois no que fazer com ela". A urgência das manhãs diminui sensivelmente a gravidade dos dramas do cotidiano. E, quando viesse a noite, já teria dramas mais sérios em que pensar. Assim a agendinha ia sobrevivendo, escapando de ir para o lixo.

Eis que chegou o dia do assalto. O susto, o pânico, o amigo que caiu do céu para emprestar-lhe o celular, o irmão que chegava para buscá-la. Alguém ligou de casa. Avisaram que haviam achado a bolsa. A bolsa e a calma recuperadas, começou a pensar... Se o celular também havia sido roubado, como acharam o número de sua casa? Pensou em outras coisas, tomou uma taça de vinho, depois outra e dormiu o quanto deu.

No dia seguinte, chegou ao trabalho e viu o e-mail de uma amiga antiga de faculdade. "Oi, está tudo bem com você? Alguém me ligou dizendo que havia achado sua bolsa e dei o número de sua casa." Estava decidido: pelos próximos 10 anos, a agendinha ficava.

sábado, 24 de outubro de 2009

Projeto Pra Daqui a Pouco

Acabei de acordar  você esta aí, ao meu lado. É a primeira coisa que vejo, começo bem o sábado. Dormindo de lado, de costas para mim, o cabelo esta solto, uma roupa velha é o pijama. Um lençol branco e a colcha no chão.

Não, nessa noite apenas dormimos, cada um sonhou um sonho e um pesadelo, ninguém levantou para ir ao banheiro, pra tomar um copo d`água, ou de whisky, apenas dormimos. Dormimos bem, você ainda dorme bem, estática e bela, apenas respirando, iluminada pelos raios da manhã, você dorme O sono do justos.

Levanto, banheiro, escova (a minha ao lado da sua), água na cara (da minha pia) e banho muito bom (no nosso banheiro). Estou feliz, apenas feliz (just happy), sem saber o porquê, sem querer saber. Coloco uma roupa bem gostosa, é quase verão. Vou pra cozinha, o melhor lugar deste lugar bacana, que nós adoramos, mas usamos muito para dormir.

Lá eu faço ovos mexidos, melhor que aqueles dos hotéis caros da Europa, receita de minha avó, pego aquela geleia que você tanto gosta, receita  da sua, torradas, frios cortados em finas fatias, pães de vários países e nomes, com as frutas uma salada, e claro, café forte, um copo com água e suco de laranja. Tudo na bandeja, que vai sobre uma mesinha muito style.

Entro no quarto, você na mesma posição, chego até o seu ouvido e falo Bom dia, a voz sai um pouco rouca, um pouco séria. Você sorri, se encolhe um pouco mais e sussurra – Bom Dia… e emenda Que horas são? Hora do café, enquanto vai para cabeceira da cama, Nossa pra mim?! Você sabe que eu…

Acordei …

 

PP Mesquita

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Saudade


Saudade. Somos pessoas que vivem com saudades. eu tenho saudades de um monte de gente, você também deve ter de outras tantas. Mas, descobri que saudade é um treco diferente, existem algumas formas de manifestar saudade e, principalmente de senti-la.

Eu tenho muita saudade do meu pai, dos meus 23 anos passei 20 longe dele, infelizmente aconteceu algo trágico, mas os poucos 3 anos de convívio não me fizeram esquecer dele, muito por conta das histórias contadas pelo povo, muito por conta do amor. Quem ama não esquece e quem esquece perde a saudade.

Também tenho saudade dos tempos de fazenda, dos tempos de primeiras saídas até a meia noite, dos tempos de primeiro porre, dos tempos de busca sem fim por um beijo na boca. Sabe o porquê dessa grande saudade? A vida. Pessoas precisam viver para ter saudade de algo.

Estes dias bateu uma saudade bruta de uma pessoa, uma saudade repentina, que chegou. Até ontem eu estava conversando com ela, Sabia quando ela voltaria, mas a saudade veio mesmo assim, nem bateu na porta, pelo contrário, arrombou a porta, e já chegou gerando questionamentos. Por que essa saudade? assim. Sua mãe esta a mais de duas semanas fora, você não vê sua afilhada a tempos e se depara com essa saudade sem sentido!?

Meu caro coração de pedra, saudade? Você, assim! Isso é traição, isso é errado, e sua avó, seu pai, aquela turma de amigos, o time de futebol, a moto velha, o tio maluco, a casa em Angra, é tudo antes dela, saudades prioritárias, não?

Não, não são mais importantes, São tão importante quanto.

Bjos PP Mesquita

Cuidado para não ficar A Deriva.

Considerações sobre o novo filme de Heitor Dhalia. Um pouco tardias, mas só agora resolvi publicar.

 

Ontem, já faz um tempo, fui ao cinema assistir ao filme A Deriva, fui com a pessoa que diz compartilhar este espaço comigo e com a Lu, uma amiga da pessoa que já virou da família. Antes disso na sexta, dei uma passada no mercearia da rua e conheci novas pessoas.

Voltemos ao passeio no cinema, quer dizer, ao filme.

Heitor Dhália tem o jeito de te fazer olhar no olho de cada personagem, um feito e tanto para um filme com fotografia e direção de arte tão aprimoradas que te fazem querer ir até aquele lugar. Em certos momentos bate aquela “vontade de querer” passar um período na praia, ter filhos adolescentes e curtir uma vida de férias que só os amigos muito ricos conseguem levar.

O filme se passa no passado, desta forma ninguém se prende a contemporaneidades, o tempo aqui nada importa, o que importa é o clima das cenas, o tom pra baixo, a boa direção, as doses de Debora Block, os conflitos da adolescente que imagina poder controlar e saber de tudo.  E te faz, nem que por um momento, acreditar que essa menina é a Dona da História e não Macabea.

Mas o conflito esta além do que imaginamos, o conflito esta entre sofrer de uma vez e sofrer aos poucos. Esta em saber que você escolheu a forma mais penitente e mais errada, é como saber que a balada vai estar ruim e ir mesmo assim.

Pode parecer papo de louco, mas pense quantas vezes você já fez isso, quantas vezes você dormiu um pouco mais sabendo que precisava acordar. Quantas vezes você foi atrás de uma coisa, sabendo que de nada adiantava, ou pior, quantas vezes você se penitenciou por escolher a maneira mais longa e dolorida?

Sabe por que A Deriva pode ser tão triste? Porque muitas vezes preferimos ficar alí, a deriva, esperando tudo dar certo, ficamos sem coragem de correr atrás. E isso choca, é um falso conformismo, uma hipocrisia gostosa, uma coisa que nos faz ir levando. Um jeitinho

PP Mesquita